Knife Party
A Estudante
Fazia um ano que não entrava em casa, um ano que não passava por aquelas ruas, um ano que não pisava naquela cidade. Não depois que de tudo aquilo ter acontecido, não depois de ter sua cidade natal transformada em um cenário de filme de terror, cuja protagonista principal havia sido ela.
" Ele já se foi, querida..." Era o que sua tia
sempre dizia, ao lhe abraçar no meio da madrugada após mais um de seus
pesadelos.
Mas ela ainda sentia o olhar dele a cada passo seu, a
presença dele em cada canto escuro e os toques dele em cada centímetro de seu
corpo.
Ela tremeu sobre o banco do táxi, encolhendo-se sobre os
casacos grossos. Os dedos deslizaram sobre o pulso, passando por cada uma das
cicatrizes, agora esbranquiçadas em sua pele. Ele havia lhe marcado de várias
formas e os cortes causados pelo fio que prendera seus pulsos era a menor
delas.
− Pode parar aqui... - ela pediu ao taxista, quando viu o
portão de entrada da faculdade.
Fazia um ano que não ia ali, mas ele parecia exatamente o
mesmo, com as letras caídas e as grades enferrujadas.
Ela desceu do carro, com a mochila em uma mão e o dinheiro
na outra. Entregou ao motorista sem esperar pelo troco e ele tão pouco
insistiu.
− Tenha um bom dia! - desejou-lhe, antes de acelerar o carro
e sair.
Ela acreditava ser impossível. Havia acabado de voltar para
se inferno pessoal, o local onde havia passado o pior momento de sua vida e
agora precisaria sorrir e fingir que estava tudo bem, enquanto observava as
pessoas continuarem com suas vidas, felizes e ignorantes, enquanto ela gritava
por dentro. Mas tudo bem: pelo menos ninguém sabia o que havia acontecido
consigo e, bom, alguém já havia matado seu estuprador.
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