quinta-feira, 30 de abril de 2020

Knife Party

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A Estudante

Fazia um ano que não entrava em casa, um ano que não passava por aquelas ruas, um ano que não pisava naquela cidade. Não depois que de tudo aquilo ter acontecido, não depois de ter sua cidade natal transformada em um cenário de filme de terror, cuja protagonista principal havia sido ela.
" Ele já se foi, querida..." Era o que sua tia sempre dizia, ao lhe abraçar no meio da madrugada após mais um de seus pesadelos.
Mas ela ainda sentia o olhar dele a cada passo seu, a presença dele em cada canto escuro e os toques dele em cada centímetro de seu corpo.
Ela tremeu sobre o banco do táxi, encolhendo-se sobre os casacos grossos. Os dedos deslizaram sobre o pulso, passando por cada uma das cicatrizes, agora esbranquiçadas em sua pele. Ele havia lhe marcado de várias formas e os cortes causados pelo fio que prendera seus pulsos era a menor delas.
− Pode parar aqui... - ela pediu ao taxista, quando viu o portão de entrada da faculdade.
Fazia um ano que não ia ali, mas ele parecia exatamente o mesmo, com as letras caídas e as grades enferrujadas.
Ela desceu do carro, com a mochila em uma mão e o dinheiro na outra. Entregou ao motorista sem esperar pelo troco e ele tão pouco insistiu.
− Tenha um bom dia! - desejou-lhe, antes de acelerar o carro e sair.
Ela acreditava ser impossível. Havia acabado de voltar para se inferno pessoal, o local onde havia passado o pior momento de sua vida e agora precisaria sorrir e fingir que estava tudo bem, enquanto observava as pessoas continuarem com suas vidas, felizes e ignorantes, enquanto ela gritava por dentro. Mas tudo bem: pelo menos ninguém sabia o que havia acontecido consigo e, bom, alguém já havia matado seu estuprador.

Lia Montler

Knife Party

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O Caçador

Muitos achavam loucura um único rapaz ter matado sete pessoas suspeitas de um sequestro, mas tal coisa acontecerá da forma mais natural possível.
Em um dia a cidade estava atordoada pelo sumiço de uma criança e um adolescente, e no outro dia estavam assustados por todos os possíveis sequestradores terem sido brutalmente assassinados. Com isso, o "caçador" passou à ser quase um símbolo santo. Sendo idolatrado por diversos pré-adolescentes que sonhavam um dia ser como o rapaz. Um justiceiro.
Haviam relatos sobre terem avistado um homem com máscara de lobo rondando a floresta perto da universidade após o estupro de uma adolescente. Quando o estuprador foi encontrado, uma nota fora encontrada com ele. Havia sangue e algo como "Você gosta de machucar pessoas?". O homem morto foi apenas menos um na sociedade, e mais um para o "caçador".
Passaram-se dois anos até que a primeira informação sobre o rapaz vazasse. "Ele tem tatuagens, e uma delas é um escorpião no pescoço".
Faz ideia de quantas pessoas tinham uma tatuagem dessas, ou até mesmo fizeram-a após a informação ser vazada só para terem um minuto de fama? Patético.
Mulheres e homens foram detidos por suspeita de serem o caçador, mas nunca de fato nenhum foi preso por o rapaz continuar rondando.
Ninguém sabia sua idade, ou até mesmo seu nome, nacionalidade... Nada. Era como um fantasma, um fantasma intocável.
Suas armas não eram nada convencionais, de uma motosserra à cartas de baralho. Todas elas encontradas pela polícia sem uma digital se quer.
O caçador era rápido, e pouco importava-se realmente em ser pego ou não.

Nathan Hart

Knife Party

Knife Party A Estudante Fazia um ano que não entrava em casa, um ano que não passava por aquelas ruas, um ano que não pisava naquela cid...